18 de jul. de 2011
Natasha
São Paulo, terra de arranha-céu, na real, São Caetano do Sul, terra onde mora meu pai. Passava as férias do meio do ano por lá, na época que eu não trabalhava e entre idas e vindas ao supermercado, acabei conheçendo Ela.
Estava no corredor de bebidas, quando Ela escondeu uma garrafa de Natasha debaixo do casaco e saiu andando normalmente do mercado como se nada acontecesse, paguei minhas compras e Ela me esperava na porta de saída, sentada no cordão da calçada, com a garrafa aberta, passando pelo lado dela ouvi um sussurro " Vai um góle? ", como minha religião não permite negar bebida, ali me sentei, bebi alguns góles até começar a papear.
Não levou 2 minutos para Ela perceber que Eu não era paulista, e ali começou, Gaúcho pra ca, Gaúcho pra lá. Não resisti e perguntei "tá, e Eu te chamo de que guria?", Ela olhou para a garrafa, me olhou de volta, abriu um sorriso e falou "Natasha". É, não sei porque Ela me atraía, não é meu tipo de garota, Ela é quase da minha altura, corpo bronzeado, sutaque da baixada-santista, mas tinha algo nos olhos e na emoção de ter pegado a garrafa que me atraía, aquela vontade de adrenalina sabe?
E por aí foi, entre porres na casa dela, sexo em banheiros e becos em plena a luz do dia, a amizade foi sendo cultivada, mas chegava a hora de avisa que Eu tinha que voltar, já faziam duas semanas que estava em São Paulo, era uma sexta-feira, meu avião saía as 8h do sábado, Ela me ligou e logo disse " Que tal uma tequila hoje? " e Eu respondi " Bá guria, to mais no clima de um bom uisque com gelo ". Ela nem precisou perguntar se tinha algo errado, a bebida nos conectava, indicava o humor que estavamos.
Ela chegou umas 23h na frente do mercado que a gente sempre se encontrava, me abraçou, Eu ví uma lagrima preta correndo do olho maquiado. A gente nem falou sobre o que tinha acontecido comigo. Eu já tinha dois copos de uisque com gelo servidos, sentados no cordão da calçada a gente bebeu sem se olhar direito, aquele vaziu já tomava conta. Depois de uns 10 minutos, os copos continuavam praticamente cheios, Ela jogou o que tinha no copo fora, tirou uma tequila da bolsa e disse: " A despidida não vai nem começar e nem acabar com cara de funeral!"
E isso é praticamente tudo que Eu lembro daquela noite, tirando flashes em lugares que eu nem imagino onde é, lembro de chegar em casa 6h da manhã, meu Pai já me ligava desesperado dizendo que eu ia perder o avião.
Trouxe de São Paulo uma dor de cabeça terrível, uma ressaca que durou algumas horas e uma vontade imensa de telefonar para Ela. Quando fui olhar o celular, tudo que restava sobre Ela, era uma foto ao meu lado, com uma garrafa de Natasha e um contato nomado Natasha no telefone que tinha um numero assim: "31072009" demorei quase uma hora para ver que esse foi o dia que a foto foi tirada e tecnicamente o nosso ultimo "encontro".
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